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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Não há mais oque inventar, tudo já foi dito, as palavras já se tornaram repetitivas, pena que tudo isso virou senso comum.


Em uma noite sem expressão ou ao menos sentido, conformada com a dor nas costas e ciente que até o fim desta já tão corrida e competitiva vida será assim escrevo sobre lembranças da minha infância, lembro dos pés de manga, das brincadeiras com pessoas queridas que hoje só se sabem de algumas, outras não são tão queridas assim e a maioria delas trilhou caminhos diferentes dos meus, dou um salto e passo a pensar no meu futuro, o que será de mim, se terei sonhos à realizar ou se vou me contentar com o que terei, se vou me casar, se vou ter filhos, se vou continuar a ter medo de bicho papão, lobo mal, ou se meus contos de fadas não farão mais sentido, penso se é cedo pra mudar ou se é tarde pra pensar que é cedo, quero mudar antes de pensar que já é tarde, porque talvez não terei tempo pra pensar em voltar ao passado, ilusões que todos temos, mas volto ao presente e lembro da dor que me consome, do frio que gela minha espinha e que de agora em diante será sempre assim, saí da infância ou do futuro e passo a pensar em hoje, pensar que a magia da infância se foi e eu já estou bem grandinha pra sonhar com um futuro encantado, pois sei que isso só existe se batalharmos, agora sei que os sentimentos e as doçuras da vida já não tem mais graça, hoje os sorrisos e as lágrimas custam caro e não são todos que se dispõem a pagar por isso. São coisas fúteis.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Bela chuva, triste vento, doces lembranças.


Estou neste momento no escuro, cai uma chuva forte lá fora, o vento entra pela janela e me envolve numa calma agitada que traz uma paz movimentada, me vem uma lembrança, mas não sei dizer precisamente se é bom ou ruim lembrar, o tempo me fez mudar. A comida já não tem mais gosto, a bebida não mata mais a sede, as pessoas não me surpreendem mais, sinto agora falta de lembranças que não sei se são boas ou ruins, o tempo traz ausências e me faz entender que nada mais além do litoral é tão legal quanto antes e que o vento que entra pela janela não é mais agradável e as pessoas que vivem todos os dias da mesma forma, com as mesmas caras e as mesmas manias, são chatas. Ainda bem que o mesmo tempo que não me faz tão bem, também, traz mudanças pra essas pessoas que se movimentam maquinadas vezes.
O vinho que coloquei numa taça ontem, hoje não tem mais o mesmo sabor e amanhã ele não existirá, está quente, derramou, manchou o tecido de renda branca que cobria a mesa, então, quero agora olhar apenas aquelas rendas que são diferentes; apenas aquelas que estão manchadas de vinho tinto, não precisa ser o mesmo vinho de ontem. Essas rendas são de verdade, já foram usadas e agora estão marcadas.
A água do mar cada vez mais suja. Deito sob a chuva que antes caia forte lá fora, agora ela é menos densa, cai tranqüila e me traz lembranças que agora defino como boas, mas elas me fazem chorar; será que são ruins ou sou eu que mudei desde o início da chuva? Cadê as pessoas, os dedos que me apontavam? A chuva espantou-as. A chuva é boa.
Minha boca secou, preciso de um copo d’água, pra quê? Tenho a chuva, ela não é boa? Será que matará minha sede? O dia começa a terminar e eu a mudar mais uma vez, não choro mais e não sinto nada, aliás, minto, sinto sim, uma coisa estranha, isso não é legal, me faz sentir que não sou uma pessoa normal. Pra quê, normalidade não existe. Toda aquela magia que me envolvia sumiu, não sinto mais paz, muito menos movimentação, quero só o vento e a chuva. Ela não te deixa vir até mim, espanta todos das ruas, porém, amanhã de manhã os jornais estarão nas portas das casas das pessoas, a chuva te leva cada vez mais pra longe de mim, a chuva é boa?
Estou com fome, preciso de comida, não vem ninguém me servir, não quero doce, nem salgado, “-Por favor, me traz um amargo? Ah! Traz também uma bebida, a melhor e a mais diferente, pode ser um vinho, o meu derramou, o melhor da sua adega. Obrigada!”