Pesquisar este blog

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Bela chuva, triste vento, doces lembranças.


Estou neste momento no escuro, cai uma chuva forte lá fora, o vento entra pela janela e me envolve numa calma agitada que traz uma paz movimentada, me vem uma lembrança, mas não sei dizer precisamente se é bom ou ruim lembrar, o tempo me fez mudar. A comida já não tem mais gosto, a bebida não mata mais a sede, as pessoas não me surpreendem mais, sinto agora falta de lembranças que não sei se são boas ou ruins, o tempo traz ausências e me faz entender que nada mais além do litoral é tão legal quanto antes e que o vento que entra pela janela não é mais agradável e as pessoas que vivem todos os dias da mesma forma, com as mesmas caras e as mesmas manias, são chatas. Ainda bem que o mesmo tempo que não me faz tão bem, também, traz mudanças pra essas pessoas que se movimentam maquinadas vezes.
O vinho que coloquei numa taça ontem, hoje não tem mais o mesmo sabor e amanhã ele não existirá, está quente, derramou, manchou o tecido de renda branca que cobria a mesa, então, quero agora olhar apenas aquelas rendas que são diferentes; apenas aquelas que estão manchadas de vinho tinto, não precisa ser o mesmo vinho de ontem. Essas rendas são de verdade, já foram usadas e agora estão marcadas.
A água do mar cada vez mais suja. Deito sob a chuva que antes caia forte lá fora, agora ela é menos densa, cai tranqüila e me traz lembranças que agora defino como boas, mas elas me fazem chorar; será que são ruins ou sou eu que mudei desde o início da chuva? Cadê as pessoas, os dedos que me apontavam? A chuva espantou-as. A chuva é boa.
Minha boca secou, preciso de um copo d’água, pra quê? Tenho a chuva, ela não é boa? Será que matará minha sede? O dia começa a terminar e eu a mudar mais uma vez, não choro mais e não sinto nada, aliás, minto, sinto sim, uma coisa estranha, isso não é legal, me faz sentir que não sou uma pessoa normal. Pra quê, normalidade não existe. Toda aquela magia que me envolvia sumiu, não sinto mais paz, muito menos movimentação, quero só o vento e a chuva. Ela não te deixa vir até mim, espanta todos das ruas, porém, amanhã de manhã os jornais estarão nas portas das casas das pessoas, a chuva te leva cada vez mais pra longe de mim, a chuva é boa?
Estou com fome, preciso de comida, não vem ninguém me servir, não quero doce, nem salgado, “-Por favor, me traz um amargo? Ah! Traz também uma bebida, a melhor e a mais diferente, pode ser um vinho, o meu derramou, o melhor da sua adega. Obrigada!”

3 comentários:

  1. q isso hein amiga.... ta poeta!rsrs

    ResponderExcluir
  2. Parabéns pela iniciativa...
    Boa sorte e bons posts.
    Um abraço.

    ResponderExcluir
  3. eu já disse que gostei desse texto, vai longe!!

    ResponderExcluir