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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Mais uma dose de mim


Se quer saber
Amo mesmo você
Voltei a beber, fumar e dançar
A minha vida não vai esperar

Quando brilho da noite me chamar
Diga a ele que não vou me atrasar
Se quiser venha comigo
Entre nessa carnificina

A noite vai ser boa
Têm homens, mulheres
Álcool e cocaína
Meninos, meninas
E um pouco de poesia

Não se espante, por que sou assim
Só não gosto que tirem partido
Tirem partido de mim

Vamos, saia comigo
Não me provoque assim
A noite ‘ta’ boa
Beba mais uma dose de mim.

Baby,
Beba, beba mais uma dose de mim

sábado, 22 de agosto de 2009

Fim


A cara de Minas pronta
A menina sempre apronta
Tiradentes pendurado
Seu passado apagado

O sol nasce no leste
É verão em Budapeste
O oeste o faz morrer
E de novo ele vai nascer

Na subida da montanha
Tem frio que vai e vem
As caras de gozo e alegria
Do samba, do jazz, da bateria

É Carnaval no Brasil
E ano novo no Japão
O mundo é uma confusão
Só resolve no fuzil

Rouba o ouro
O ouro de Tiradentes
Deixa ele viver
Vamos ver o que vai ser

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Andança


Ando pelas ruas e vejo caminhões

Ando pelas calçadas e vejo crianças

Ando nos telhados e vejo ladrões

Ando nas esquinas e vejo a vizinhança


Passo pelo escuro e ascendo uma luz

Passo pelo canto e me sinto espremida

Passo pela quaresma e faço sacrifício

Passo pelo carnaval e volto a ser mortal


Sinto o cheiro de comida e perco a fome

Sinto seu cheiro e sinto nostalgia

Sinto calor, isso é normal

Sinto tristeza, mas não choro todo dia


Pego a caneta e o violão

Pego no ar pensamentos vãos

Pego a paciência e a coloco no papel

Pego pra ler literatura de cordel


Minha carne tem pecados

Meu caminho também

Minha voz às vezes falha

Meu sorriso também.

domingo, 16 de agosto de 2009

Minha poesia



Acho que posso te chamar de cifra perdida num refrão que já foi pensado
Sinto sim sua falta, mas a última vez que te vi foi no ano passado
Quero sim te ver, mas não sinto mais desejo
Se ainda existir, espero que se lembre do meu beijo

Um dia foi assim
Você esteve tão perto de mim
Hoje só restou a saudade
Confesso que já não me desperta mais vontade

Meu amor já foi seu
Hoje ele morreu
Escrevo um poema
Mas nem lembro seu nome
Escrevo apenas pela fome

Fome de poesia
Poesia que você também fazia
Mas você se perdeu num refrão que não tem fim
E fica perturbando meus pensamentos
Tirando partido de mim

Escrevo na esperança que o papel faça o papel de te levar pra bem longe daqui
Deixar de me perturbar
Perturbar minha poesia
É só isso que terei um dia
E mais nada
Apenas minha poesia

domingo, 7 de junho de 2009

Ser ou não ser? Eis a questão!


Hipocrisia, segundo o dicionário de língua portuguesa. Hipocrisia sf. Vício de demonstrar ter uma virtude ou um sentimento que não se tem: fingimento, simulação – O colega de trabalho se dizia meu amigo, mas era pura hipocrisia.
Hipócrita amf. Em que existe hipocrisia: falso, fingido – Um homem hipócrita, uma amizade hipócrita.
Sinto muito gozo ao poder revelar que o ser humano é completamente hipócrita, mas se disso você não sabia, o que você pode me falar sobre seus conhecimentos? Limitados, ou você é cego. Esses sorrisos amarelos que se dão de manhã, esses abraços largos seguidos de beijos na face, esse “oi, tudo bem?” que se dão sem ao menos esperar resposta, essas amizades circundadas de conversinhas ocultas entre seus próprios membros “ Fulano é amigo de Sicrano, porém, Sicrano sempre fala (MAL) de Fulano. Vice-Versa”.
Não há o que eu odeie mais que essa necessidade de demonstrar sentir o que não se sente. Se não sente amor, carinho ou afeto; não o force. Quantos relacionamentos existem cheios de hipocrisia? Quantas vezes você já forçou um sorriso? Não que eu não o seja ou que o seja, porém, eu o detesto. Todas as relações inter-humanas estão cheias da mais pura e excitante hipocrisia, aquela que está enraizada e é passada de geração em geração, aquela que diz: “- Mesmo que odeie uma pessoa, dê-lhe um sorriso”. Não precisa tratá-la bem, é só não tratar. Pronto! Não precisa rir ou abraçar, é só evitar o contato, evitar qualquer aproximação, se não o faz é por que a situação o agrada, ai o problema já está em uma dimensão inimaginável, por que você já não estará sendo hipócrita, você estará sendo muito mais que hipócrita. Você estará sendo medíocre.
E cá pra nós quer um ser mais hipócrita que político? Desculpe-me mais uma vez por demonstrar uma satisfação imensa em falar desse assunto, mas é a mais pura verdade, eles se mostram hiper preocupados com a sociedade, em como vamos mudar o mundo dentro de nossas próprias cuecas (você se lembra dessa palavra?), em dar precisão do tempo em que farão as coisas, de como a bolsa família (miséria) foi misteriosamente deturpada, ou ainda de como farão para pagarem as passagens aéreas internacionais de suas belíssimas, estruturadas, e ricas famílias e de seus afilhados, empregados, avós, tios, sobrinhos, vizinhos e animais de estimação. Está obvio o quão solidários e preocupados estão eles?
Mas a alegria das pessoas é serem enganadas, passadas para trás, pisadas e humilhadas a cada vez que estas tentam mudanças, sinto muito, mas é a mais pura verdade. A sociedade vive de esperança, essa que já devia ter morrido há tempos, está aqui ainda fazendo sabe-se lá Deus o que. Aliás, tenho um palpite, ela está aqui ainda pra rir da cara dos desajeitados que se apegam a “santa esperança”, esperança de o mundo um dia virar um paraíso, de o planeta parar de esquentar, por que afinal de contas nada temos com isso, não é mesmo? Esperança de um dia ver os filhos respeitando os pais sem respeitarem as mudanças impostas pela sociedade. Que mundinho mais século passado!
Infelizmente tudo isso me deixa com dor de barriga, mas não pense que é por causa dos conservantes que hoje são colocados nos enlatados. Não. É de tanto rir mesmo, afinal de contas meus caros, rir ainda é o melhor remédio ou a pior doença.

sábado, 23 de maio de 2009

As rédeas estão comigo agora


Voltei a escrever, de tudo isso não é bom, afinal de contas envolve vários fatores a volta às literaturas, bem como desilusões e um desejo de ser o outro, deixando minha própria identidade para assumir a identidade de uma outra pessoa, assumindo desejos que não são meus e crenças que nunca me pertenceram. Bem, essa volta, devo dedicar a algumas pessoas que me fizeram sair da realidade e outras ainda melhores que me fizeram voltar à realidade, a aquelas que me puxaram pela mão e disseram, “Hei... ‘Pera’ ai, você não acha que está se entregando demais não?”.
É a essas pessoas que dedico minha volta às literaturas, minha volta à vida e a estágios mais elevados de discernimento e autoconsciência; tomei novamente as rédeas da minha vida, o controle está reassumido, as contas ainda não estão acertadas, o diálogo ainda está escasso, olhos nos olhos continuam sendo fatores de risco, falar a verdade está mais fácil, mesmo porque não há necessidade de mentiras quando se está seguro do que se fez, desculpas são fugas, afinal, se há mendicância para tal ato é porque a segurança não existe.
Há uma grande diferença entre conhecer e saber, eu conheço ou até mesmo reconheço os meus erros, minhas displicências, meus atos falhos, porém é difícil saber como deixá-los pra trás, como aprender e mudar com eles. Essa minha retomada às raízes me fez perceber o quanto deixei pra trás, o quanto me esqueci de mim mesma nesse tempo que passou. Aprendi que gostar do outro é primeiro ter amor próprio; que nunca amarei completamente uma pessoa, por que sempre vou desconfiar dela (afinal, a imaginação é a pior inimiga de um casal); que jamais iria saber compreender e aceitar verdadeiramente os problemas e os defeitos das pessoas, por que sempre vou me dizer que o meu problema e meu defeito são maiores; se eu não me reassumisse, não reassumisse meus desejos, minhas vontades, meus gostos, meus vícios, e não reconhecesse minhas inúmeras virtudes eu não iria conseguir manter nenhum relacionamento comigo própria, que Sá com outro individuo.
Mas no mais é isso ai, estou novamente no controle, te confesso que é difícil, mas não impossível. Passo agora a ser uma Glenda sem grandes necessidades, confesso também que a loucura está me invadindo, perco o senso da realidade, da normalidade e entrego-me loucamente a vida e a pessoas que me fazem promessas de felicidade sem me dar conta de que na maioria das vezes não há verdade nessas promessas, o desejo de nunca me submeter a rotina, sem me dar conta de que minha vida é uma rotina e que o cotidiano é quase necessário às vontades mais oriundas da vida. Mas é assim que se segue a saga da minha retomada das rédeas, reclamações e prenúncios de uma vida melhor, torno-me agora uma pessoa melhor, mais satisfeita comigo mesma e ciente que tudo que faço pra agradar apenas desagrada.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Não há mais oque inventar, tudo já foi dito, as palavras já se tornaram repetitivas, pena que tudo isso virou senso comum.


Em uma noite sem expressão ou ao menos sentido, conformada com a dor nas costas e ciente que até o fim desta já tão corrida e competitiva vida será assim escrevo sobre lembranças da minha infância, lembro dos pés de manga, das brincadeiras com pessoas queridas que hoje só se sabem de algumas, outras não são tão queridas assim e a maioria delas trilhou caminhos diferentes dos meus, dou um salto e passo a pensar no meu futuro, o que será de mim, se terei sonhos à realizar ou se vou me contentar com o que terei, se vou me casar, se vou ter filhos, se vou continuar a ter medo de bicho papão, lobo mal, ou se meus contos de fadas não farão mais sentido, penso se é cedo pra mudar ou se é tarde pra pensar que é cedo, quero mudar antes de pensar que já é tarde, porque talvez não terei tempo pra pensar em voltar ao passado, ilusões que todos temos, mas volto ao presente e lembro da dor que me consome, do frio que gela minha espinha e que de agora em diante será sempre assim, saí da infância ou do futuro e passo a pensar em hoje, pensar que a magia da infância se foi e eu já estou bem grandinha pra sonhar com um futuro encantado, pois sei que isso só existe se batalharmos, agora sei que os sentimentos e as doçuras da vida já não tem mais graça, hoje os sorrisos e as lágrimas custam caro e não são todos que se dispõem a pagar por isso. São coisas fúteis.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Bela chuva, triste vento, doces lembranças.


Estou neste momento no escuro, cai uma chuva forte lá fora, o vento entra pela janela e me envolve numa calma agitada que traz uma paz movimentada, me vem uma lembrança, mas não sei dizer precisamente se é bom ou ruim lembrar, o tempo me fez mudar. A comida já não tem mais gosto, a bebida não mata mais a sede, as pessoas não me surpreendem mais, sinto agora falta de lembranças que não sei se são boas ou ruins, o tempo traz ausências e me faz entender que nada mais além do litoral é tão legal quanto antes e que o vento que entra pela janela não é mais agradável e as pessoas que vivem todos os dias da mesma forma, com as mesmas caras e as mesmas manias, são chatas. Ainda bem que o mesmo tempo que não me faz tão bem, também, traz mudanças pra essas pessoas que se movimentam maquinadas vezes.
O vinho que coloquei numa taça ontem, hoje não tem mais o mesmo sabor e amanhã ele não existirá, está quente, derramou, manchou o tecido de renda branca que cobria a mesa, então, quero agora olhar apenas aquelas rendas que são diferentes; apenas aquelas que estão manchadas de vinho tinto, não precisa ser o mesmo vinho de ontem. Essas rendas são de verdade, já foram usadas e agora estão marcadas.
A água do mar cada vez mais suja. Deito sob a chuva que antes caia forte lá fora, agora ela é menos densa, cai tranqüila e me traz lembranças que agora defino como boas, mas elas me fazem chorar; será que são ruins ou sou eu que mudei desde o início da chuva? Cadê as pessoas, os dedos que me apontavam? A chuva espantou-as. A chuva é boa.
Minha boca secou, preciso de um copo d’água, pra quê? Tenho a chuva, ela não é boa? Será que matará minha sede? O dia começa a terminar e eu a mudar mais uma vez, não choro mais e não sinto nada, aliás, minto, sinto sim, uma coisa estranha, isso não é legal, me faz sentir que não sou uma pessoa normal. Pra quê, normalidade não existe. Toda aquela magia que me envolvia sumiu, não sinto mais paz, muito menos movimentação, quero só o vento e a chuva. Ela não te deixa vir até mim, espanta todos das ruas, porém, amanhã de manhã os jornais estarão nas portas das casas das pessoas, a chuva te leva cada vez mais pra longe de mim, a chuva é boa?
Estou com fome, preciso de comida, não vem ninguém me servir, não quero doce, nem salgado, “-Por favor, me traz um amargo? Ah! Traz também uma bebida, a melhor e a mais diferente, pode ser um vinho, o meu derramou, o melhor da sua adega. Obrigada!”